A pesquisa desenvolve-se a partir da relação entre território, corpo e matéria, investigando superfícies como campos de tensão — espaços onde fluxo, contenção e fratura coexistem.
Linhas que atravessam as composições operam como cursos d’água, veios minerais e sistemas venosos. Nas curvas, fragmentos se acumulam como sedimento; no interior, a matéria se condensa e se estabiliza. A superfície deixa de ser paisagem para afirmar-se como corpo atravessado.
O uso de resina, vidro, pigmentos e metais estabelece tensões entre transparência e densidade, fluidez e contenção, brilho e opacidade. O vidro fragmentado, simultaneamente frágil e cortante, articula estados de cristalização e ruptura, enquanto o metal intensifica a ideia de condução, leito e estrutura.
As obras não representam a natureza; operam como formações. Não descrevem o corpo; insinuam uma anatomia mineral.
Topografia, veio, fratura e núcleo são entendidos como estados da matéria e também como estados de força. Cada peça emerge como resultado de pressão, acúmulo e transformação — processos que atravessam tanto a geologia quanto a experiência humana.
A pesquisa propõe uma cartografia sensível, na qual territórios internos e externos se espelham, revelando que toda superfície abriga camadas invisíveis de tensão e memória.