A série Mananciais constitui o núcleo estrutural da pesquisa, articulando processos de pressão, sedimentação e transformação. Linhas operam como veios e fluxos, enquanto fragmentos se acumulam e a matéria se condensa, estabelecendo dinâmicas entre transparência e densidade, fluidez e contenção, rigidez e instabilidade.
O trabalho desenvolve-se a partir da experimentação material, explorando as propriedades físicas e estruturais que emergem do encontro entre substâncias de naturezas distintas. O vidro fragmentado introduz relações de risco e fratura; a resina tensiona tempo e controle; o cimento ancora a composição em peso e permanência; o XPS sustenta e expande a construção volumétrica; enquanto as folhas de metal ativam condução, brilho e estrutura.
As obras não representam paisagens, mas operam como formações. Configuram campos onde matéria, força e tempo se inscrevem, consolidando uma linguagem que articula território, corpo e permanência.
No desenvolvimento do projeto Geografias da Permanência: Matéria, território e corpo, atuo na articulação entre pensamento e matéria, estruturando um campo de investigação que se desdobra em experimentação contínua e consolidação de linguagem.
Minha prática envolve a definição de eixos conceituais, a investigação de referenciais ligados à geologia e à cartografia, e a experimentação com materiais construtivos como cimento, XPS, resina epóxi, cacos de vidro, pigmentos e folhas de metal. Esses elementos são tensionados em suas propriedades físicas e estruturais, operando entre peso e fluidez, rigidez e instabilidade, transparência e opacidade.
O processo conta com colaboração técnica de fornecedores especializados em vidro e insumos industriais, além de soluções estruturais voltadas à montagem e estabilidade das peças, assegurando a viabilidade material e a integridade das obras.
A série Mananciais constitui o núcleo estruturante da pesquisa, articulando território, corpo e matéria por meio de formações que evocam veios, fraturas e campos de contenção. As obras emergem de processos de acúmulo, pressão e sedimentação, configurando superfícies onde forças se inscrevem e se estabilizam.
Nesse contexto, a pesquisa consolida uma linguagem formal consistente, ampliando o repertório técnico e conceitual da prática e configurando um campo contínuo de investigação, no qual cada trabalho não apenas resulta de um processo, mas também o reativa e o expande.